for the price of a cup of tea

Sobre felicidade, canas, lajes, astrologia e auto-ajuda.

Publicado por: Juliana França em: junho 29, 2010

Sabe, durante muito tempo eu sofri por não conseguir acreditar na minha intuição. E durante muito tempo eu me perguntei o porquê de muitas vezes não ser capaz de aceitar certos conselhos. Não que eu sempre tivesse razão, mas as pessoas são diferentes e, por serem diferentes, pensam também de forma diferente. Não acredito em padrões, muito menos em senso comum. Esse tipo de coisa não funciona comigo. Eu sou a exceção de toda e qualquer regra, o que muitas vezes me dá o apelido de maluca, egocêntrica e coisas do gênero. Não me importo.

Depois que comecei a estudar astrologia, fiquei pior. Pior no sentido de que agora eu começo a ver mais claramente coisas que antes eu me questionava muito. Por que os livros de auto-ajuda juram que têm a solução pra tudo? Claro, é muito mais fácil seguir um padrão de comportamento do que analisar todas as variáveis que fazem determinada pessoa pensar de um jeito ou de outro. “Ele simplesmente não gosta de você, faça isso de determinado jeito, seja assim e assado.” Muitas vezes eu ainda me questiono se não seria mais feliz se não me questionasse tanto, se permitisse que tudo coubesse numa caixinha pré-moldada. Não, para mim as coisas não funcionam assim.

Hoje passei mais de uma hora conversando com o porteiro do meu prédio, que me contou da sua infância como cortador de cana em Pernambuco. Tempo tão corrido, que eu poderia ter adiantado várias coisas, visto um seriado, lido… sei lá. Mas foram justamente esses minutos que me fizeram pensar na imensidão da vida e de tudo que podemos viver. Ele foi me contando, humildemente, de onde veio e até onde chegou. De quando só tinha 1,70 pra comprar um chinelo que custava 2,50 e da sua casa hoje, com 2 quartos e uma laje, onde ele faz churrasco nos fins de semana. Quando ele terminou de falar tudo, eu virei pra ele e disse: “Você percebeu o quanto você é feliz? Para pra pensar em tudo o que você me disse e analisa de onde você veio e aonde você está hoje. Precisa de mais? Isso é felicidade! É comparar a sua vida de hoje com a sua vida de antes e ver o quanto você evoluiu, melhorou.” Ele se pegou assustado e disse que sim, realmente não fazia sentido reclamar, que ele era um homem de muita sorte, pois tinha tudo o que sempre sonhou um dia e que para ser mais feliz, só faltava o tão sonhado filho.

O que é a felicidade? As pessoas riem de mim quando digo que não vou ser rica. E é verdade, não tenho talento pra isso. E voltado a falar sobre a astrologia, nela eu aprendi que sim, somos todos diferentes e que essas diferenças precisam ser respeitadas. Não existem pessoas iguais e isso explica muita coisa. Isso faz com que eu entenda que não sou um extraterrestre perdido no Planeta Terra. Pelo contrário, tenho um mapa astral muito bem elaborado, cheio de desafios que cabem só a mim resolver. Nestas últimas semanas revivi muitas histórias, cresci muito e aprendi com tudo o que eu tentei me esconder a vida toda. Acredito que sim, no sofrimento aprendemos muito (se formos capazes) e não há razões para culpados, raivas e sentimentos negativos. A vida é uma evolução constante e basta você perceber se quer continuar cortando cana e reclamando da vida, ou pegar sua maleta, enfrentar o monstro da cidade grande e realizar o sonho da sua laje.

A felicidade está na sua cara, com luzes neon piscando pra você, mas você só vai conseguir enxergar no momento em que parar de olhar pro muro ao lado.

4 Respostas para "Sobre felicidade, canas, lajes, astrologia e auto-ajuda."

Contadora de histórias =)

Saudades do papo de astrologia!

Você é uma pessoa íncrivel e surpreendente. Cada dia que passa aprendo mais e mais. Obrigada.

Pois é… Mas acho que tu tá longe de ser a única pessoa “diferente” deste mundo. Na verdade todos nós somos. Só que tem gente que por um motivo ou outro prefere seguir a boiada.

É muito mais fácil a curto prazo seguir o movimento sem pensar do que criar seu próprio espaço. No entanto, só as pessoas que não são dotadas de um mínimo de personalidade se enquadrarão neste sistema.

Para os outros, a busca da felicidade passa por trilhar seu próprio rumo, o que nos leva a obstáculos muito maiores. Mas também a concretizações mais importantes…

O bem não existe sem o mal, uma vantagem sempre trará uma desvantagem. Não devemos buscar o bem absoluto, mas nos conhecermos e utilizarmos as nossas características (vantagens/limitações) da melhor forma possível.

Beijos!

PS: Gosto muito dos teus textos sobre crises existenciais, mesmo se não comento todos :)

Realmente, a insatisfação é um padrão…. que vem da comparação com padrões impostos. Tornam o estilo de vida publicado em mídias como um dogma e vinculamos nossa felicidade à isso. Somos mais felizes que imaginamos, deveras muito mais ingratos que sonhamos. O ponto só é ponto nos olhos de quem vê, a felicidade idem.
Abraços!

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    • Eremita Urbano: Realmente, a insatisfação é um padrão.... que vem da comparação com padrões impostos. Tornam o estilo de vida publicado em mídias como um dogm
    • chelo: xii li escutando the rat.... mudou tudo!
    • Vit: Pois é... Mas acho que tu tá longe de ser a única pessoa "diferente" deste mundo. Na verdade todos nós somos. Só que tem gente que por um motivo

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