Não é raiva, é uma indiferença que não sei explicar. É como se eu tivesse atingido um outro estado e não me importasse mais com essas coisas tão pequenas e insignificantes. Claro que no fundo vem aquele arrependimento de ter dado tanto valor a algo tão pífio, mas no fundo eu sei que foi importante e que se não fosse por tudo isso, um novo passo não teria sido dado ou um novo capítulo começado. Chove muito lá fora e essa mesma chuva que antes me deixava triste, hoje me traz alegria, porque já consigo ver que após a tempestade sempre aparecem os dias de sol. Vejo tudo com uma certa distância saudável, de quem supera rápido as coisas e se incomoda só o necessário. Melhor assim.
Don’t give up.
Dezembro 6, 2009 · Deixe um comentário
Faça a coisa certa ao menos uma vez. Não deixe escapar, por medo, aquilo que você tanto quer. Pare, respire fundo, não pense tanto e siga adiante. Você pode até contar com as voltas que a vida dá diariamente, ela muda, eu sei, e você também, mas as oportunidades são únicas e valiosas. Não sou daquelas que vê a vida passar pela janela, como um filme, onde você é o espectador. Prefiro me jogar, ser a atriz principal da minha história, onde tudo gira ao meu redor e se move me movendo junto. Esse combustível, do não estático e absoluto, me encanta. Saber que nada é para sempre e que o sempre é melhor quando vivido intensamente, enquanto durar. Planos são sim necessários, mas o mais gostoso mesmo é viver do acaso e das surpresas que a vida nos traz. Não tenha medo de sentir. Entregue-se.
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Trees and Birds.
Novembro 25, 2009 · Deixe um comentário
Belle and Sebastian continua sendo a minha banda favorita e o amor continua transbordando aos montes, de modo incontrolável e efêmero. Sim, o que me inspira é um olhar, um sorriso, alguém do outro lado da calçada, porque mesmo teimando comigo mesma, eu sei que sou uma pessoa extremamente romântica. Quer pagar pra ver?
Adoro cartas de amor, sempre as escrevo em escondido, me encanto com olhos azuis e narizes grandes e sempre digo que o amor dura pouco, pois dura o suficiente para se tornar imortalizado, é que o prefiro assim, sem decepção. E é isso, sempre isso que acontece quando se cria expectativa. Então prefiro amar aquele desconhecido, passando do outro lado da rua, ou ele, que se senta na minha frente enquanto eu disfarço lendo uma revista. Prefiro o acaso, todos os dias, criando cenários mágicos e fantásticos pra minha vidinha pacata tão agitada.
Não busque sentido, apenas busque sentindo.
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Bonito.
Novembro 23, 2009 · Deixe um comentário
Meu bonito,
Desculpa tomar-te como meu, mas é o que sinto agora. A vontade do vício antigo, de te ver sorrindo, mãos dadas, a troca de olhares, tão clichê, tão real, tão bonito, como você. E sinto, sinto muito a sua falta nestes dias, sejam quentes ou frios, de chuva ou sol, porque o querer é intenso e presente, mas a calma e paciência devem falar mais alto, eu sei. E eu que estava atrás do desapego, me apeguei na idéia de te querer bem, te querer ao lado, constante e intensamente. Do poder tocar, abraçar, aquele abraço sincero, tão cheio de ternura e desejo. Desejo de estar junto, de parar o tempo, de ver o mundo tão pequeno e insignificante em volta. Há muito não sentia isso e não quero que tudo se apague assim. A realidade hoje é outra, a ansiedade não é a mesma, o medo já não existe. E a única coisa que eu jogaria pro alto, seria o tudo, se isso me fizesse tê-lo de volta, ao meu lado, bonito, do jeito que só você é e sabe ser.
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Carta de (des)amor.
Outubro 4, 2009 · 1 Comentário
Acabei de achar esse texto de 2007 e acho que nunca foi publicado. Acho que um dia gostaria de receber uma carta assim. Só para constar, a pessoa a quem se destinava este texto, nunca o recebeu e nem sonha com existência dele e de tamanho amor. Os tempos mudam.
“Talvez um dia você leia isso. Talvez esse dia seja tarde demais para nós, para o que eu sinto hoje. O desejo de manter as coisas eternas é em vão perto de toda a rapidez com que a vida vai e leva consigo os sentimentos. Eu tenho tanta coisa pra te falar, mas me falta coragem. A gente vai se acostumando e se adaptando, e essa facilidade de adaptação me impressiona quando vejo o tão longe que tudo pode chegar. Eu até tentei não me comover, te esquecer, buscar apoio em outra pessoa. Não me sinto bem em saber que tudo foi em vão, que só de ouvir a sua voz, toda aquela tormenta volta e me faz desejar estar ao seu lado para sempre, mesmo que esse sempre seja apenas alguns poucos dias de muita alegria. Viver novamente o não querer dormir, só pra poder te olhar toda a noite. Te reparar nos mínimos detalhes a ponto de tentar gravar na memória cada movimento ou palavra para nunca mais esquecer. Eu ainda te vejo nos meus dias, por mais que tente te esconder de mim. E te escrevo isso, pois sei que minha coragem nunca será suficiente a ponto de te mostrar o que sinto verdadeiramente… O pior é que eu sei que nesse momento eu deveria ser forte e dizer a verdade, já que agora a distância já não é mais um problema. E mesmo não acreditando em amor, você me faz acreditar que ele existe. E ainda que pareça loucura da minha parte, tudo o que eu queria era poder viver de verdade aquilo que um dia eu tive a oportunidade de experimentar ao seu lado.”
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Rule my world.
Setembro 23, 2009 · 1 Comentário
A gente tem mania de se enganar, jurando de pés juntos que aquele é o maior acerto da nossa vida. Acredita, faz planos e até se permite sonhar um pouco, movida pelo desejo alheio, que por inércia (ou osmose) acaba se tornando também o seu.
E quem é que nunca chorou por alguém, que atire a primeira pedra! Sempre fui adepta ao melodrama, sou drama queen assumida e adoro um chororô. E eu sei, sei que sem expectativas as coisas fluem melhor, mas é uma delícia criar mundinhos paralelos na cabeça e imaginar florzinhas em todos os cantos, num lugar onde tudo é perfeito e acontece do jeito que você quer.
Nem sempre dá certo, é fato. Daí você tenta fugir, pensando que a distância é o melhor remédio ou que ocupando as lacunas vazias do seu pensamento, você evita de pensar na situação, mas não, é importante sofrer e é também saudável. O que não dá, é tentar entender sempre, porque é quase uma missão impossível e por isso acaba sendo doloroso.
Tudo é um processo. Dói porque você desejou que aquilo desse certo, mas não deu, e aí? Vai ficar sofrendo? É uma decepção num jogo onde não existem culpados. Simplesmente não era pra ser e se fosse, seria pior. Aceitar às vezes é o melhor remédio, mas não aceitar com mágoas ou ressentimentos. E ressentimento é para mim um dos piores sentimentos, pois é quando você culpa alguém do seu fracasso. É por isso que eu prefiro não acreditar no certo ou errado, mas também sei que deveria cuidar melhor da minha ansiedade. No fim das contas, no final da tempestade, a gente sofre um pouco pra arrumar a casa, mas depois de um tempinho ela fica arrumadinha como antes. Você até se permite trocar algumas coisas de lugar e mudar um pouco o ambiente. E tudo segue, tudo novo de novo, pronta para o próximo tombo.
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Weightless.
Setembro 17, 2009 · Deixe um comentário
Que tipo de pessoa iria para a Suécia num inverno congelante? Eu, provavelmente. Claro que se eu pudesse ir na primavera, seria perfeito, mas já que não dá, a gente vai na estação disponível e faz as coisas possíveis. Motivos sempre existem. Sempre, todos, muitos. E até hoje eu tento entender aquela cena. Av. Paulista, que naquele momento parecia imensa pra mim e a imagem se desfazendo ao fundo, lá longe, um pequeno pontinho e a certeza de que aquela seria a última. Engraçado, anos depois reencontrar rostos que eu pensava que nunca mais veria. Talvez o mesmo desejo que me leva pra lá no frio tórrido. E sim, a gente muda, gente! A cabeça pensa demais, pesa, dói. E sabe quando você acredita tanto que parece que aquilo é uma pedra? Aquilo vai rodando na sua cabeça como se fosse a verdade mais verdadeira e profunda do mundo. Um barulho estranho e uma sensação mais estranha ainda. Lembro daquela parada de ônibus, daquele vôo turbulento, dos passos rápidos na noite fria e solitária, do chá quente com mel, das cervejas não tomadas, das muitas já bebidas, do jogo de futebol, do filme, do show e da música. Lembranças que me carregam para um passado doce, pois nesse estágio, o que vale são as boas lembranças. Ah, eu e a minha capacidade de apagar tudo de ruim da minha memória… uma varredura seletiva que faz com que só as doces lembranças sejam lembradas. Assim é mais gostoso, mais leve.
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Só de passagem.
Setembro 15, 2009 · 1 Comentário
A vida tem dessas manias de dar voltas e voltas e cabe a você aceitar a direção desses novos caminhos. Eu costumo dizer que basta menos de um minuto para tudo mudar. Um email aceito, um sorriso trocado, um aperto de mão, um telefonema. Nada é estático, pelo menos para mim e, com certeza, pra você também. Talvez essa força seja o que me mova a novas direções, sempre. Aceitar o novo sem medo, por mais que ele esteja lá, forte e presente, pronto para te assustar. Resiliência. E eu que não conseguia entender o verdadeiro significado dessa palavra, quando tudo o que eu buscava era o velho e antigo e não aceitava que teria que me adaptar aos novos produtos, comidas, trejeitos, pessoas e culturas. Cá estou eu, 3 anos depois de sair de casa com apenas 2 malas e um sonho. Claro, as preocupações aparecem, as contas vencem, batem no seu carro, e você começa a ver os primeiros fios de cabelo branco na cabeça. A vida é doce, por mais dura que ela seja. E há quem diga que ela foi boazinha comigo. Não discordo, mas também não estou 100% de acordo. Acredito que o caminho é você quem faz. Se quiser tudo mais florido, plante flores. E eu acho que fui jogando sementes por aí, esperando pacientemente que elas crescessem.
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Mais do mesmo.
Agosto 3, 2009 · 1 Comentário
É chato abrir o Word para escrever e me deparar com essa sensação de vazio. Sempre me aparecem algumas idéias soltas, perdidas, pedindo pra sair, mas quando eu chego aqui, elas se escondem, fogem para não saírem da cabeça. Ao mesmo tempo eu vejo a minha trajetória e penso no passado, como referência ao futuro e, neste caso, o presente, ao pensar que a minha vida já mudou há quase um ano e nesse meio tempo eu aprendi muita coisa, mas vivendo quase que o mesmo. O mesmo. Casa, trabalho, trabalho, casa. Um rolinho sem graça aqui, uma ida ao supermercado ali, mas nada de museu, grandes e surpreendentes shows ou viagens fantásticas. Nada. Tempo se tornou um artigo de luxo, as viagens acontecem, e são todas por trabalho. Nada de festas até 8 da manhã, afinal, o fim de semana é curto para todas as responsabilidades e perder metade de um dia dormindo e a outra metade de ressaca, significa perder muito e eu não posso me dar esse luxo.
Nestes últimos dias minhas anteninhas estão ligadas a nós, mulheres. Nossos sentimentos e desejos mais profundos, e descobrir que no fundo todas sentimos o mesmo, é confortante. Ao mesmo tempo sinto angustia e ansiedade por não saber o que acontecerá no dia de amanhã. Maldita daquela que resolveu queimar sutiã em praça pública. Mas por outro lado, tudo tem seu lado positivo e negativo e o que me conforta é saber que tudo também pode mudar. Tenho que enfrentar a raiva e o desconforto como gatilho para essa mudança, afinal, ninguém vive de alegria eterna. Ainda bem! Não quero mais aceitar humilhações e é bom quando a gente resolve reconhecer o próprio valor. Aprender continua sendo o meu objetivo principal e depois dele, crescer. Faz comida, come, dorme, trabalha, abastece o carro, dirige. Nunca estive tão feliz sozinha e não sinto falta de ninguém nesse momento. Não digo amigos ou família, digo companheiro mesmo, alguém ao lado. Virei discípula do antes só do que mal acompanhada e vivo essa nova filosofia. Outra coisa que aprendi é que amizades não são eternas e não são em todas as pessoas que você pode confiar.
A gastrite dói, a ansiedade consome, mas aos poucos eu vou conseguindo ver o lado positivo, os aprendizados e a luz no fim do túnel. Essa, a tal luz que sempre me moveu. Acabou a historinha e o futuro será futuro, novo e incerto, tal qual deve ser. Sem projeções e aspirações. Apenas mais do mesmo, de uma maneira diferente.
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Senti(n)do.
Maio 27, 2009 · 1 Comentário
Não é que eu não sinta, eu sinto. O problema não sou eu, é você, são as pessoas que teimam em aparecer. Erradas, errantes, erráticas pelo meu caminho. Passageiros, passantes, passados mal configurados. Linhas desconexas, soltas, notas mal tocadas, sentidas, palavras desmedidas, enganos premeditados. E é sempre igual, sempre. Você não faria melhor, porque não chegaria nem perto, porque seria e é incapaz de compreender tamanha profundidade. Não é assim, nunca será. E por mais que eu busque algum sentido em toda história, nunca haverá. O sentir vai além, é o inspirar, olhar e não há quem entenda o peso das palavras lidas, faladas, mal conversadas. O estar ao lado, observar silenciosamente. E naquela casa dos desejos, só uma vontade não realizada. Proibida, desmedida. Estranho pensar assim. Estranho pensar tanto.
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