Acabei de achar esse texto de 2007 e acho que nunca foi publicado. Acho que um dia gostaria de receber uma carta assim. Só para constar, a pessoa a quem se destinava este texto, nunca o recebeu e nem sonha com existência dele e de tamanho amor. Os tempos mudam.
“Talvez um dia você leia isso. Talvez esse dia seja tarde demais para nós, para o que eu sinto hoje. O desejo de manter as coisas eternas é em vão perto de toda a rapidez com que a vida vai e leva consigo os sentimentos. Eu tenho tanta coisa pra te falar, mas me falta coragem. A gente vai se acostumando e se adaptando, e essa facilidade de adaptação me impressiona quando vejo o tão longe que tudo pode chegar. Eu até tentei não me comover, te esquecer, buscar apoio em outra pessoa. Não me sinto bem em saber que tudo foi em vão, que só de ouvir a sua voz, toda aquela tormenta volta e me faz desejar estar ao seu lado para sempre, mesmo que esse sempre seja apenas alguns poucos dias de muita alegria. Viver novamente o não querer dormir, só pra poder te olhar toda a noite. Te reparar nos mínimos detalhes a ponto de tentar gravar na memória cada movimento ou palavra para nunca mais esquecer. Eu ainda te vejo nos meus dias, por mais que tente te esconder de mim. E te escrevo isso, pois sei que minha coragem nunca será suficiente a ponto de te mostrar o que sinto verdadeiramente… O pior é que eu sei que nesse momento eu deveria ser forte e dizer a verdade, já que agora a distância já não é mais um problema. E mesmo não acreditando em amor, você me faz acreditar que ele existe. E ainda que pareça loucura da minha parte, tudo o que eu queria era poder viver de verdade aquilo que um dia eu tive a oportunidade de experimentar ao seu lado.”
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A gente tem mania de se enganar, jurando de pés juntos que aquele é o maior acerto da nossa vida. Acredita, faz planos e até se permite sonhar um pouco, movida pelo desejo alheio, que por inércia (ou osmose) acaba se tornando também o seu.
E quem é que nunca chorou por alguém, que atire a primeira pedra! Sempre fui adepta ao melodrama, sou drama queen assumida e adoro um chororô. E eu sei, sei que sem expectativas as coisas fluem melhor, mas é uma delícia criar mundinhos paralelos na cabeça e imaginar florzinhas em todos os cantos, num lugar onde tudo é perfeito e acontece do jeito que você quer.
Nem sempre dá certo, é fato. Daí você tenta fugir, pensando que a distância é o melhor remédio ou que ocupando as lacunas vazias do seu pensamento, você evita de pensar na situação, mas não, é importante sofrer e é também saudável. O que não dá, é tentar entender sempre, porque é quase uma missão impossível e por isso acaba sendo doloroso.
Tudo é um processo. Dói porque você desejou que aquilo desse certo, mas não deu, e aí? Vai ficar sofrendo? É uma decepção num jogo onde não existem culpados. Simplesmente não era pra ser e se fosse, seria pior. Aceitar às vezes é o melhor remédio, mas não aceitar com mágoas ou ressentimentos. E ressentimento é para mim um dos piores sentimentos, pois é quando você culpa alguém do seu fracasso. É por isso que eu prefiro não acreditar no certo ou errado, mas também sei que deveria cuidar melhor da minha ansiedade. No fim das contas, no final da tempestade, a gente sofre um pouco pra arrumar a casa, mas depois de um tempinho ela fica arrumadinha como antes. Você até se permite trocar algumas coisas de lugar e mudar um pouco o ambiente. E tudo segue, tudo novo de novo, pronta para o próximo tombo.
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Que tipo de pessoa iria para a Suécia num inverno congelante? Eu, provavelmente. Claro que se eu pudesse ir na primavera, seria perfeito, mas já que não dá, a gente vai na estação disponível e faz as coisas possíveis. Motivos sempre existem. Sempre, todos, muitos. E até hoje eu tento entender aquela cena. Av. Paulista, que naquele momento parecia imensa pra mim e a imagem se desfazendo ao fundo, lá longe, um pequeno pontinho e a certeza de que aquela seria a última. Engraçado, anos depois reencontrar rostos que eu pensava que nunca mais veria. Talvez o mesmo desejo que me leva pra lá no frio tórrido. E sim, a gente muda, gente! A cabeça pensa demais, pesa, dói. E sabe quando você acredita tanto que parece que aquilo é uma pedra? Aquilo vai rodando na sua cabeça como se fosse a verdade mais verdadeira e profunda do mundo. Um barulho estranho e uma sensação mais estranha ainda. Lembro daquela parada de ônibus, daquele vôo turbulento, dos passos rápidos na noite fria e solitária, do chá quente com mel, das cervejas não tomadas, das muitas já bebidas, do jogo de futebol, do filme, do show e da música. Lembranças que me carregam para um passado doce, pois nesse estágio, o que vale são as boas lembranças. Ah, eu e a minha capacidade de apagar tudo de ruim da minha memória… uma varredura seletiva que faz com que só as doces lembranças sejam lembradas. Assim é mais gostoso, mais leve.
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A vida tem dessas manias de dar voltas e voltas e cabe a você aceitar a direção desses novos caminhos. Eu costumo dizer que basta menos de um minuto para tudo mudar. Um email aceito, um sorriso trocado, um aperto de mão, um telefonema. Nada é estático, pelo menos para mim e, com certeza, pra você também. Talvez essa força seja o que me mova a novas direções, sempre. Aceitar o novo sem medo, por mais que ele esteja lá, forte e presente, pronto para te assustar. Resiliência. E eu que não conseguia entender o verdadeiro significado dessa palavra, quando tudo o que eu buscava era o velho e antigo e não aceitava que teria que me adaptar aos novos produtos, comidas, trejeitos, pessoas e culturas. Cá estou eu, 3 anos depois de sair de casa com apenas 2 malas e um sonho. Claro, as preocupações aparecem, as contas vencem, batem no seu carro, e você começa a ver os primeiros fios de cabelo branco na cabeça. A vida é doce, por mais dura que ela seja. E há quem diga que ela foi boazinha comigo. Não discordo, mas também não estou 100% de acordo. Acredito que o caminho é você quem faz. Se quiser tudo mais florido, plante flores. E eu acho que fui jogando sementes por aí, esperando pacientemente que elas crescessem.
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É chato abrir o Word para escrever e me deparar com essa sensação de vazio. Sempre me aparecem algumas idéias soltas, perdidas, pedindo pra sair, mas quando eu chego aqui, elas se escondem, fogem para não saírem da cabeça. Ao mesmo tempo eu vejo a minha trajetória e penso no passado, como referência ao futuro e, neste caso, o presente, ao pensar que a minha vida já mudou há quase um ano e nesse meio tempo eu aprendi muita coisa, mas vivendo quase que o mesmo. O mesmo. Casa, trabalho, trabalho, casa. Um rolinho sem graça aqui, uma ida ao supermercado ali, mas nada de museu, grandes e surpreendentes shows ou viagens fantásticas. Nada. Tempo se tornou um artigo de luxo, as viagens acontecem, e são todas por trabalho. Nada de festas até 8 da manhã, afinal, o fim de semana é curto para todas as responsabilidades e perder metade de um dia dormindo e a outra metade de ressaca, significa perder muito e eu não posso me dar esse luxo.
Nestes últimos dias minhas anteninhas estão ligadas a nós, mulheres. Nossos sentimentos e desejos mais profundos, e descobrir que no fundo todas sentimos o mesmo, é confortante. Ao mesmo tempo sinto angustia e ansiedade por não saber o que acontecerá no dia de amanhã. Maldita daquela que resolveu queimar sutiã em praça pública. Mas por outro lado, tudo tem seu lado positivo e negativo e o que me conforta é saber que tudo também pode mudar. Tenho que enfrentar a raiva e o desconforto como gatilho para essa mudança, afinal, ninguém vive de alegria eterna. Ainda bem! Não quero mais aceitar humilhações e é bom quando a gente resolve reconhecer o próprio valor. Aprender continua sendo o meu objetivo principal e depois dele, crescer. Faz comida, come, dorme, trabalha, abastece o carro, dirige. Nunca estive tão feliz sozinha e não sinto falta de ninguém nesse momento. Não digo amigos ou família, digo companheiro mesmo, alguém ao lado. Virei discípula do antes só do que mal acompanhada e vivo essa nova filosofia. Outra coisa que aprendi é que amizades não são eternas e não são em todas as pessoas que você pode confiar.
A gastrite dói, a ansiedade consome, mas aos poucos eu vou conseguindo ver o lado positivo, os aprendizados e a luz no fim do túnel. Essa, a tal luz que sempre me moveu. Acabou a historinha e o futuro será futuro, novo e incerto, tal qual deve ser. Sem projeções e aspirações. Apenas mais do mesmo, de uma maneira diferente.
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Não é que eu não sinta, eu sinto. O problema não sou eu, é você, são as pessoas que teimam em aparecer. Erradas, errantes, erráticas pelo meu caminho. Passageiros, passantes, passados mal configurados. Linhas desconexas, soltas, notas mal tocadas, sentidas, palavras desmedidas, enganos premeditados. E é sempre igual, sempre. Você não faria melhor, porque não chegaria nem perto, porque seria e é incapaz de compreender tamanha profundidade. Não é assim, nunca será. E por mais que eu busque algum sentido em toda história, nunca haverá. O sentir vai além, é o inspirar, olhar e não há quem entenda o peso das palavras lidas, faladas, mal conversadas. O estar ao lado, observar silenciosamente. E naquela casa dos desejos, só uma vontade não realizada. Proibida, desmedida. Estranho pensar assim. Estranho pensar tanto.
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Perdão, eu só peço um minuto do seu tempo, meu caro canceriano, para dizer o quanto tenho pensado em ti. Prefiro acreditar em acasos, apesar de que sinto que já vi este olhar em algum lugar, talvez numa outra vida, ou no desejar desta, acompanhado pelo mesmo sorriso que enfeita o seu rosto. Impossível manter-me normal em tal presença. Tudo é notável. A roupa, o cabelo, a barba mal feita, os dentes desalinhados e o traje bem escolhido. A temperatura não é a mesma, o impacto é intenso, a vontade teima em se controlar escondida em um desejo proibido. Quartas e terças, cinzentas e frias. Febres, calafrios, surpresas e intensidades. Cale-se, capricorniano, que você rouba as minhas idéias. E eu não me canso de colocá-las em imagens poéticas de filmes filmados pela minha imaginação, de uma paixão não explicada e impossível, sem eixo, beira, eira, bobeira, pois sou da prosa e não da poesia, mas eu sinto e minto para mim mesma, dizendo que não é possível, pois já se passaram dois e o terceiro não é permitido, mas são regras, velhas regras… e eu lá quero saber? Quero você, minha fotonovela em preto e branco, vermelho e marrom. Acesse o que quiser, o que lhe for conveniente. Mergulhe de olhos fechados, nem raso, nem fundo, não pisque, se arrisque e se entregue ao máximo limite. Do erro, do permitido, do infinito e do amor.
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É que o mundo anda cada vez mais individualista e eu não quero fazer parte disso. Não quero assumir um pensamento falso, só para me agradar e tirar o peso da minha consciência. É fácil se confortar com alguma situação, ainda mais quando se trata de sentimentos ou impressões alheias, quando não sabemos ao certo o que se passa pela cabeça da pessoa. “O que você faria nesse tipo de situação?” Milhões de opiniões inúteis são colhidas com um único objetivo: apaziguar a mente perturbadora, que num processo de seleção indutiva, acaba escolhendo as que mais lhe convém. Por isso eu pedi os cinco minutos. Por isso prefiro olhar olho no olho, pois eles nunca mentem e nunca escondem o que sentem de verdade. Preciso saber e preciso falar. Falar que nem sempre as minhas palavras condizem com as minhas vontades e as minhas atitudes não demonstram exatamente os meus sentimentos. É complicado, eu sei, mas é assim.
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Eu não costumo muito escutar as pessoas, não quando o assunto sou eu. Às vezes pergunto, sempre comento, mas o que vale mesmo no final é sempre a minha opinião. Não sei se é esse o motivo de eu me considerar, muitas vezes, uma pessoa errante. Não sei se erros podem ser avaliados assim. A linha que separa o certo do errado é muito tênue e você acaba sempre oscilando. Acho que eu tenho um método de auto-sabotagem incrível, quando o assunto é relacionamentos entre 2 pessoas. O que eu penso e dissemino, nunca se aplica na minha vida especificamente. Posso ter cometido dois erros seqüenciais. Ou talvez um. Ou talvez três ou quatro. Só não sei qual deles considerar como erro. E a questão é justamente essa, porque se eu for procurar erros, vou encontrar inúmeros, mas em que me basear, se tudo é tão subjetivo?
Consegui matar o segundo ser vivo que tentou habitar a minha casa. Não adianta, sou incapaz de cuidar de uma planta. Esqueço de colocar água, de por no sol… E agora faz frio, eu tenho que trabalhar e uma mala pra desarrumar. Odeio desarrumar malas na mesma proporção que odeio sofrer por alguém. Acho que odeio poucas coisas e poucas pessoas.
Já dizia o velho ditado: “Em casa de ferreiro, espeto é de pau.” E não sei se é por culpa dos astros, ando numa fase bem apaixonada. Me apaixono fácil, por tudo e por todos, mas tudo passa com a mesma facilidade que chega. Me desapego fácil. Odeio cobranças, pelo simples fato de que odeio ser lembrada de coisas que muitas vezes me incomodam. Não me peçam para fazer algo que me desagrada, pois provavelmente sairá mal feito. Descobri mais isso em mim. E tenho descoberto mais e mais, na constante busca de talento para manter a casa arrumada, a planta regada e as contas pagas em dia. Se pudesse descrever um defeito em mim, seria a impaciência. Talvez esse seja o maior culpado pelos meus erros, que são tão relativos quanto o medo. Um verdadeiro paradoxo.
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lloyd diz:
i have one or 2 crazy moments a year
lloyd diz:
you
lloyd diz:
its every day
lloyd diz:
even today theres a chance of meeting another random person with you
Mais uma dessas noites turbulentas e caóticas. A lot of crazy moments a year, almost every day. Quando você vê, a situação já mudou, está contra ou a favor de você, tudo depende do referencial. Um momento de loucura muda tudo, mas o melhor é a reflexão que isso pode te causar na manhã seguinte. Ressaca, sono e uma certeza.
Um dia assim, domingo cinzento, olho pra TV em off, a música ao fundo, as cortinas escondendo o sol. A preguiça, a vontade, o desejo. Se eu pudesse mudar tudo, ou ter o controle da situação… se tudo fosse mais claro… Hoje, amanhã, quarta-feira e sempre.
Incrível como a solidão me faz bem e me mata aos poucos. Por favor, vá embora e me deixe em paz com os meus deuses, soltos pela casa, livres como querem. Acabo de ver que tem uma flor desenhada no meu braço com canetinha permanente. O cansaço reclama. Resquícios de uma noite estranha.
Por favor, não me ligue, não se lembre de mim e me desculpe se sou tão confusa. Odeio quando me dizem isso, mas dessa vez é preciso te alertar. Você merece alguém que te mereça. E este alguém, definitivamente, não sou eu.
Não tente entender. Simplesmente vá. E seja feliz.
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